HQs QUE GOSTO: DOMU

Nunca li “Akira”, confesso. Vi o filme, adorei, mas nunca cheguei a completar a leitura da HQ de Katsuhiro Otomo. Mea culpa. Entretanto, muitos anos atrás tive a sorte de topar com uma edição importada de “Domu”, pelo mesmo autor, na Livraria Cultura ou em alguma Bienal do Livro, em São Paulo. O exemplar que me chamou a atenção era a tradução em inglês publicada nos EUA pela Dark Horse em 1996, preço de capa U$17,95. Na época o câmbio estava favorável para nós, brasileiros, e “Domu” estava a um preço bem razoável em reais. Comprei. Não me arrependo, que estória!

Em “Domu”, Katsuhiro Otomo explora o tema de batalhas psíquicas envolvendo pessoas com poderes sobrenaturais, experiência que atingiria seu ápice no aclamado “Akira” feito alguns anos depois. A estória se passa toda em um condomínio de classe média onde estranhos supostos suicídios vem acontecendo há alguns anos. O condomínio é o grande destaque da arte, um personagem à parte. Otomo retrata com maestria a arquitetura opressiva e decadente do local, e como isso se reflete na vida de seus moradores. Outro tema é a sempre presumida inocência das crianças que lá residem, a inocência da infância. Inocentes? É preciso olhar mais perto, é o que Otomo tenta nos dizer. No fim, são as crianças as protagonistas da brilhante sequência final de “Domu”.

“Domu” não serviu apenas como preparação para “Akira”, é uma obra de ficção científica com seus próprios méritos e, com certeza, influenciou outros autores que se aventuraram em usar poderes psíquicos como parte de suas estórias. Por exemplo, o bom filme de horror norueguês “Os Inocentes” teve “Domu” como grande inspiração, como já declarou seu diretor Eskil Vogt. O clímax de “Os Inocentes” é praticamente uma filmagem da sequência final de “Domu”.

Acho que “Domu” nunca foi publicado no Brasil nem republicado em inglês. Aquele gibi da Dark Horse que custava U$17,95 em 1996? Hoje não sai por menos de 100 dólares na Amazon!

Dei sorte.

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