QUADRINHOS EM FOCO: THE PUNISHER #4

Eram os anos 80 e Schwarzenegger e Stallone explodiam nas telas com seu vigilantismo movido a testosterona, em uma árdua competição pra ver quem produzia a maior contagem de corpos. Época perfeita para um personagem como o Justiceiro encontrar seu público. Criado por Gerry Conway em 1975, o matador de criminosos, codenome Justiceiro, surgiu nos quadrinhos como mais um antagonista do Homem-Aranha e durante dez anos foi, quando bem escrito, no máximo um vilão interessante. Foi preciso esperar até 1986 para que uma bem sucedida minissérie escrita por Steven Grant e desenhada pelo grande Mike Zeck provasse que o personagem tinha luz própria e que o conceito era viável. Logo no ano seguinte, com Mike Baron nos roteiros e Klaus Janson na arte, o Justiceiro estreou em sua série com grande sucesso, o que o tornou um dos personagens mais populares da Marvel.

Nesta edição de número #4, logo na abertura da estória Mike Baron nos apresenta o personagem Microchip, engenheiro e hacker que auxilia o Justiceiro coletando informações e fornecendo equipamentos sofisticados para sua cruzada contra o crime. Na sequência, é mostrado um pouco da logística de como o Justiceiro opera. Ele obtém suas armas de traficantes ilegais do submundo do crime e financia toda essa operação com o que chama ironicamente de “espólios de guerra”, ou seja, dinheiro roubado dos bandidos que mata. Fica claro que o Justiceiro é também ele, sim, um criminoso. Racista, até, como mostra uma cena em que se refere a um motorista negro como “macaco”. Nota especial para a arte de Klaus Janson. Ainda saboreando o sucesso de “Batman: Cavaleiro das Trevas” no ano anterior, Janson assume desenhos, arte-final e cores trazendo sua identidade visual característica. Seu Justiceiro é um bruto navegando em uma Nova York igualmente crua e tosca.

Mais que um prelúdio do que seriam os anos noventa nos quadrinhos americanos, o Justiceiro de Baron e Janson sobe um tom na violência usualmente mostrada nos quadrinhos da Marvel mas com um quê de inteligência e sinceridade. Goste-se ou não do caráter e da motivação central do personagem (“devo matar as pessoas que merecem ser mortas”), a série é eficiente e nos pega, pois nos leva a acreditar em seu significado.

Ah, sim, a trama da estória? O Justiceiro resolve investigar uma conspiração arquitetada por uma igreja evangélica comandada por um carismático pastor corrupto. Que absurdo, não? A imaginação desses roteiristas…!

Nota: Publicada no Brasil em 1989 pela Editora Abril na revista SUPERAVENTURAS MARVEL Nº 83, e em 2024 pela Panini no encadernado JUSTICEIRO POR MIKE BARON E KLAUS JANSON

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